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O advogado Técio Lins e Silva, um dos signatários do manifesto de advogados contra a condução da “lava jato”, rebateu a crítica do procurador da República Deltan Dellagnol de que a carta viola o princípio mais básico do direito de defesa, que é não fazer acusação genérica, afirmando que o coordenador da operação não tem moral para atacar os defensores.

“Ele não tem autoridade para fazer qualquer criticar à advocacia. Ele vai a igrejas evangélicas pregar sobre a 'lava jato', vai ao Congresso pedir alteração na lei. Confunde militância política com a função pública de procurador, que tem de respeitar o acusado. Ele não tem autoridade nenhuma, zero”, afirmou o criminalista ao jornal Folha de S.Paulo.

Além disso, Lins e Silva, que foi um dos mais atuantes advogados de presos políticos durante a ditadura militar, avaliou que a operação é mais autoritária do que os processos conduzidos na época do regime militar (1964-1985): “Estou falando de uma arbitrariedade como nunca se viu no Brasil”. Para ele, o fato de o juiz federal Sergio Moro atuar em quase todos os processos do caso viola o princípio do processo democrático constitucional.

Confrontado com uma conta da força-tarefa da “lava jato” de que, dos mais de 300 recursos já interpostos contra decisões de Sergio Moro, apenas pouco mais de uma dezena obteve sucesso, o advogado manifestou confiança nos julgamentos do Supremo Tribunal Federal, explicando que muitas vezes os ministros negam a liminar, mas deferem o pedido no mérito.